Herança e o cônjuge: ele pode ficar de fora com a nova redação do Código Civil? Entenda as mudanças em debate

A sucessão hereditária no Brasil é um dos temas que mais mexem com o coração — e com o bolso — das famílias. Até agora, o cônjuge sobrevivente é considerado, em regra, herdeiro necessário, dividindo a herança com os descendentes (filhos, netos) ou ascendentes (pais, avós), conforme o regime de bens. Mas as discussões em torno da reforma do Código Civil têm trazido à tona uma proposta que pode alterar esse cenário: a possibilidade de excluir o cônjuge da condição de herdeiro necessário em determinadas situações.

Essa mudança tem gerado dúvidas, debates acalorados e grande interesse nos meios jurídicos e na mídia. Neste artigo, você vai entender o que está em discussão, o que pode mudar na prática, quais são os argumentos a favor e contra, e o que isso significa para casais e suas famílias.

O que diz o Código Civil hoje sobre o cônjuge na herança?

Atualmente, o Código Civil brasileiro considera o cônjuge como herdeiro necessário, ou seja, ele tem direito a uma parte da herança, independentemente da vontade do falecido.
Essa condição garante a participação do cônjuge sobrevivente na sucessão, sempre respeitados os limites legais, especialmente em relação à legítima dos descendentes (filhos) e ascendentes (pais).

Em outras palavras: mesmo que o falecido tenha feito um testamento, ele não pode excluir completamente o cônjuge da herança, exceto em casos muito específicos, como indignidade ou deserdação prevista em lei.

O que está sendo proposto na reforma do Código Civil?

Nos últimos meses, tramita no Congresso um projeto de alteração do Código Civil que pode retirar a condição de herdeiro necessário do cônjuge. A ideia central é que o cônjuge possa não ter direito automático à herança, abrindo espaço para que a sucessão seja dirigida de forma mais pessoal pelo testador.

Segundo os artigos e debates mais recentes, o foco da proposta é:

  • permitir que o testador decida livremente sobre seu patrimônio, sem necessariamente reservar parte ao cônjuge;
  • ampliar a liberdade de dispor dos bens em vida ou por testamento;
  • mitigar situações em que o cônjuge não contribuiu efetivamente para a formação do patrimônio.

Tal proposta tem gerado posições divergentes entre juristas, parlamentares e especialistas em Direito de Família e Sucessões.

Quais são os principais argumentos favoráveis à mudança?

1. Maior autonomia do autor da herança

A proposta privilegia a vontade da pessoa ao dispor de seu patrimônio. Assim, quem acumulou bens sozinho poderia organizá-los como desejar.

2. Proteção de herdeiros em situação de vulnerabilidade

A ideia é que a herança seja direcionada para quem realmente necessita e contribuiu para a formação do patrimônio.

3. Redução de conflitos familiares

Alguns especialistas argumentam que maior clareza sobre a vontade do falecido pode reduzir disputas judiciais posteriores.

E quais são os argumentos contrários?

1. Fragilização do cônjuge sobrevivente

O cônjuge muitas vezes abre mão de sua carreira para cuidar da família. Retirá-lo como herdeiro necessário pode deixá-lo vulnerável, especialmente após anos de dedicação ao lar.

2. Risco de injustiças emocionais e patrimoniais

A perda da condição de herdeiro necessário poderia resultar em desigualdades entre membros da família que, em teoria, deveriam ser protegidos pela lei.

3. Aumento de litígios

A liberdade quase absoluta de dispor bens pode gerar mais disputas judiciais, em vez de menos.

O que isso significa para você que vive em união estável ou pretende casar?

Com essa alteração da lei, será necessário:

  • Planejar a sucessão com maior cuidado;
  • Formalizar testamentos bem estruturados;
  • Conversar com seu parceiro sobre disposição de bens;
  • Avaliar a necessidade de contratos de convivência ou pactos antenupciais.

Essas ferramentas podem ajudar a proteger seus objetivos patrimoniais e garantir que sua vontade seja respeitada — mesmo em cenários futuros.

Herança e a importância do testamento: garantindo sua vontade e protegendo seus direitos

Uma das maiores preocupações quando o assunto é herança é justamente garantir que a vontade do titular do patrimônio seja respeitada após sua morte. E é exatamente aí que o testamento ganha uma importância fundamental.

É um mito achar que o testamento é somente para “quem tem muitos bens” ou para casos complexos. O testamento é uma ferramenta acessível e extremamente útil para organizar a sucessão de forma clara, personalizada e com segurança jurídica.
Mesmo para pessoas com patrimônio mais modesto, elaborar um testamento significa:

  • Expressar de forma inequívoca como deseja que seus bens sejam distribuídos, evitando interpretações equivocadas depois da sua morte.
  • Reduzir conflitos familiares, pois seus herdeiros sabem exatamente qual era sua intenção.
  • Evitar disputas judiciais longas, que muitas vezes desgastam emocional e financeiramente a família.
  • Preservar valores afetivos e valores materiais de acordo com a sua vontade, e não apenas segundo as regras automáticas de sucessão previstas em lei.

Quando uma pessoa fala sobre herança apenas de forma genérica — “quero que meus filhos recebam tudo” — isso pode não ser suficiente. O testamento permite especificar destinos diferentes para partes do patrimônio, como deixar um imóvel para um filho, uma quantia em dinheiro para outro, ou até beneficiar um ente querido que não teria direito automático.

Esse instrumento traz tranquilidade: ele é uma ferramenta que pode e deve ser atualizada ao longo da vida, acompanhando mudanças familiares, profissionais ou patrimoniais. Assim, ele não é um documento fixo, mas sim uma estratégia de planejamento sucessório contínua.

Por isso, sempre que se fala em herança com segurança, o testamento aparece como um dos instrumentos mais poderosos para proteger sua vontade e evitar surpresas ou injustiças entre os herdeiros.

Para entender melhor como funciona um testamento, acesse esse guia completo que preparamos para orientar nossos clientes.

Conclusão: o cônjuge pode ser excluído da herança?

A possibilidade de o cônjuge ficar de fora da herança está em debate no Congresso e entre juristas, com propostas que visam ampliar a autonomia do autor da herança. Embora ainda não exista uma mudança definitiva, o tema merece atenção, pois pode impactar diretamente casais, famílias e o planejamento sucessório no Brasil.

O que está claro é que a sucessão hereditária está em transformação e que a regra tradicional — que colocava o cônjuge sempre como herdeiro necessário — pode ser flexibilizada.

Se você quer proteger seu patrimônio, planejar sua sucessão ou entender como suas decisões hoje podem impactar o futuro da sua família, buscar orientação jurídica especializada é essencial.

Quer saber se a sua situação familiar atual exige um planejamento sucessório personalizado? Agende uma conversa com um advogado especialista em Direito de Família e Sucessões e receba uma estratégia jurídica feita sob medida para você e sua família. Clique no link do WhatsApp e entre em contato com nossa equipe.

Viviane Papazian

Advogada de Direito de Família e Sucessões, especialista em inventários

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